Como Uma Bolsa de US$ 450 Passou a Valer Menos de US$ 100 — e Custou Bilhões em Valor de Marca

Milionário Renegado - Edição 023

Michael Kors e John D. Idol

John D. Idol é o CEO e o arquiteto por trás da transformação moderna da Michael Kors.

Ele assumiu a empresa em 2003 e transformou a antiga marca fundada pelo designer Michael Kors, em 1981, em um fenômeno global.

Durante os anos 2000, a empresa teve um crescimento acelerado.

Enquanto marcas como Hermès e Chanel eram inacessíveis, John posicionou a Michael Kors como artigo de luxo, porém ainda acessível para a classe média aspiracional.

A marca surfou perfeitamente o estilo da época:

  • Logo visível

  • Design reconhecível

  • Visual “jet set lifestyle”

  • Glamour urbano

Era o auge do consumo aspiracional ostentatório. O logotipo grande funcionava como símbolo social. Isso aumentou o desejo e acelerou a adoção em massa.

Em 2011 a empresa fez um IPO. 

Até 2016 viveu um crescimento explosivo: a receita saltou de cerca de US$ 1,3 bilhão para quase US$ 5 bilhões em cinco anos.

Com a expansão acelerada, John criou a Capri Holdings e diversificou o grupo adquirindo marcas como Jimmy Choo (2017) e Versace (2018). Em determinado momento, contratou um CEO específico para a operação da Michael Kors, enquanto permaneceu como CEO do grupo.

A Queda

Mas o mercado mudou. O crescimento desacelerou e a pressão por resultados aumentou.

A estrutura já era grande, com centenas de lojas e forte presença internacional. Para sustentar volume, a marca expandiu ainda mais a distribuição: abriu novas lojas próprias, ampliou presença em outlets e reforçou canais em lojas de departamento.

Os descontos passaram a ser mais frequentes, especialmente em outlets, com reduções que podiam chegar a 50% ou 60% em determinadas linhas e saldos.

Bolsas com preço cheio de US$ 450 podiam ser encontradas em canais promocionais por valores muito inferiores.

O preço oficial continuava premium, mas a percepção começou a mudar.

A partir de 2016 o crescimento perdeu força, as margens começaram a pressionar e o valuation deixou de acompanhar o ritmo anterior. Nos anos seguintes, a Capri enfrentou quedas relevantes de receita e rentabilidade, registrando prejuízo consolidado em 2025.

Em 2024, John Idol reassumiu diretamente a liderança como CEO da Michael Kors, tentando restaurar disciplina, posicionamento e poder de marca.

A Armadilha do Crescimento

Eu tenho visto muita gente cair nessa armadilha recentemente.

Alguns fundadores começam com muito sucesso e logo decidem lançar mais produtos, criar novas versões mais baratas, abrir turmas maiores, aumentar tráfego pago, contratar mais vendedores, expandir equipe e flexibilizar condições comerciais.

No final, a meta se torna apenas sustentar o crescimento.

Querem manter o faturamento subindo.
Querem proteger o caixa.
Querem provar para si mesmos e para o mercado que continuam em expansão.

No início, tudo parece lógico.

Se cresceu assim até agora, é só acelerar.

Eles fazem isso porque acreditam que crescimento constante é sinônimo de força.

Acreditam que:

Mais clientes significa mais autoridade.
Mais volume significa mais impacto.
Mais acessibilidade significa mais marca.
Mais receita significa mais poder.

Só que, na verdade, isso acaba sendo uma grande armadilha porque crescimento altera o posicionamento.

Quando você amplia demais o acesso, reduz a percepção de exclusividade.
Quando cria versões mais baratas para “escalar”, muda o tipo de cliente que atrai.
Quando flexibiliza demais condições para bater meta, reprograma o modo como o mercado te enxerga..

O cliente aprende.

Ele passa a esperar desconto.
Passa a negociar sempre.
Passa a comparar você com soluções mais simples.
Passa a enxergar seu serviço como algo replicável.

E no momento em que sua oferta deixa de parecer estratégica e passa a parecer pouco exclusiva, o poder de precificação enfraquece.

O fundador acha que está protegendo o negócio ao forçar expansão.

Mas muitas vezes está corroendo exatamente o que tornou o negócio valioso: posicionamento, margem e percepção.

O crescimento que parecia solução se torna dependência.

E dependência de crescimento é uma das armadilhas mais perigosas para quem vende alto valor.

Pense Grande,

Sandro San

O Erro Que Destrói Marcas Premium Enquanto Elas Parecem Estar Crescendo

Existe um tipo de crescimento que parece saudável. A receita sobe e as vendas aumentam, mas, silenciosamente, o seu poder de cobrar alto está sendo corroído.

Muitos especialistas experientes acreditam que escalar é apenas uma questão de vender mais.

Mas no high ticket, a lógica é diferente. Você não escala apenas números, você escala percepção, e percepção é frágil.

Aqui estão quatro verdades contraintuitivas que quase ninguém ensina sobre o alto valor:

1. Crescimento Acelerado Pode Ser o Início da Erosão

Quando você cresce rápido demais sem proteger seu posicionamento, você expande acesso, não valor.

Expansão de públicos, condições e versões da oferta pode aumentar volume, mas também reduz clareza, que é o principal elemento que sustenta sua autoridade.

Quando sua oferta começa a aparecer em todos os lugares, com múltiplas variações e condições, o mercado para de enxergar você como seletivo.

Um crescimento saudável mantém a identidade intacta, enquanto um crescimento descontrolado dilui sua identidade, e identidade diluída não sustenta preço alto por muito tempo.

2. O Preço Cheio Precisa Ser Real

Um erro silencioso que muitos cometem é criar um preço oficial, mas quase ninguém paga aquele valor.

Sempre existe uma condição especial, um bônus inesperado ou uma uma exceção estratégica.

Com o tempo, o mercado entende que o preço cheio vira ficção e a ancoragem desaparece, fazendo com que seus clientes sempre esperem por uma promoção.

No high ticket, preço não é apenas transação, é posicionamento.

Se o mercado sente que seu preço é negociável, ele interpreta que seu valor também é.

3. A Receita Pode Crescer Enquanto Valor Cai

Esse é o ponto mais perigoso, porque você pode viver meses excelentes de faturamento, bater recordes e sentir que deu certo, mas se esse crescimento vier de descontos recorrentes, condições frouxas e um público desalinhado, o que está crescendo é a receita, não o valor percebido.

O valor percebido é o que sustenta margens, indicações e poder de longo prazo.

Quando você treina o mercado a pagar menos, você precisa vender mais para manter o mesmo lucro.

Mas, aumentando a receita, você só vai perceber que seu valor caiu quando mais ninguém aceitar pagar caro por um serviço seu.

4. Escalar Preço É Mais Difícil Do Que Escalar Volume

Reduzir preço é fácil, basta ceder.

Mas reconstruir autoridade depois de banalizar sua oferta… é brutal.

Porque o mercado cria memória. Se você já foi acessível demais, flexível demais, barato demais, tentar subir o preço depois gera resistência.

As pessoas se questionam: “Mas antes não era assim”.

No high ticket, o maior ativo não é seu produto, é a percepção de que você vale o que cobra, e recuperar percepção custa muito mais energia do que protegê-la desde o início.

📧 Sobre o Milionário Renegado

Ser um "Milionário Renegado" significa ter a disposição, o conhecimento e a coragem para transformar um negócio comum em um ativo extraordinário, produtor de riqueza, que pode mudar a sua vida para sempre​​. O modelo "Milionário Renegado" gira em torno de DINHEIRO e AUTONOMIA. Trata-se de fazer dinheiro de maneira diferente: mais rápido, mais fácil e em quantias maiores do que o usual.

Nessa newsletter semanal eu compartilho pensamentos e ideias contra-intuitivas que desenvolvi ao longo dos últimos 30 anos sobre como você pode atrair dinheiro, em vez de persegui-lo, e acumulá-lo de forma mais certa e rápida, para alcançar verdadeira riqueza, segurança e independência​.

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